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Orientações para viver bem a Semana Santa
A Semana Santa, para nós cristãos, é a semana mais importante do ano. Como bem diz o nosso povo: "estamos vivendo os dias grandes". Esta Semana é grande porque nela celebramos o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

     Nesta Semana Deus manifestou todo o seu amor pela
humanidade e por cada um de nós. Com o apóstolo Paulo, cada um de nós pode
dizer: "Ele me amou e se entregou por mim" (cf. Gl 2,20).



     A Semana Santa, que ora iniciamos, pode ser considerada
um manual de instruções para o cristão. Jesus pediu a seus discípulos que
preparassem, com todo esmero, a sua Páscoa e, com isso, nos ensina hoje a fazer
o mesmo. Vamos ler e meditar juntos o relato dos preparativos da Páscoa de
Jesus?

Assim descreve o evangelista Marcos: "No primeiro dia dos ázimos, quando se
imolava a Páscoa, os seus discípulos lhe disseram: "Onde queres que façamos os
preparativos para comeres a Páscoa?". Enviou então dois dos seus discípulos e
disse-lhes: "Ide à cidade. Um homem levando uma bilha d"água virá ao vosso
encontro. Segui-o. Onde ele entrar, dizei ao dono da casa: "O Mestre pergunta:
Onde está a minha sala, em que comerei a Páscoa com meus discípulos?" E ele vos
mostrará, no andar superior, uma grande sala arrumada com almofadas. Preparai-a
ali para nós"! (Mc 12b-15).



     O apóstolo Paulo, por sua vez, lembra aos cristãos da
comunidade de Coríntios para não celebrarem a Páscoa com o fermento da malícia e
da perversidade (cf. 1 Cor 5,8). Não é esta uma orientação segura também para
nós hoje? É triste constatar que muitos cristãos hoje vivem a Semana Santa com
certa frieza e até na indiferença. A Semana Santa para nós, discípulos de Jesus,
não é uma espécie de "carpe diem" (um aproveitar o hoje). Não é tempo para
passear, pescar, se divertir, curtir a vida, relaxar, espairecer - como se fosse
um feriadão. Assim como os discípulos de Jesus, também nós hoje devemos nos
preparar bem para passar esses dias grandes na sua companhia. O Papa Francisco
se lamenta que "há cristãos que parecem ter escolhido viver uma quaresma sem
Páscoa" (EG 6). Contentam-se em celebrar uma Páscoa de aparência, sem graça, sem
vida e sem passagem da morte para a vida. O bom cristão deve dizer com os
cristãos de Abitine: "sem Eucaristia não podemos viver". Parafraseando, "sem
Semana Santa não podemos viver". Onde, como e com quem vamos celebrar a Semana
Santa deste ano de 2014?



Vejamos, então, os ensinamentos e as instruções que a Santa Mãe Igreja nos
proporciona na Semana Santa através de sua liturgia:



     O Domingo de Ramos é o grande portal
de entrada na Semana Santa, a Semana em que Jesus caminha até ao ponto
culminante da sua existência terrena. Ele sobe a Jerusalém para dar pleno
cumprimento às Escrituras e ser pregado no lenho da cruz, o trono donde reinará
para sempre, atraindo a Si a humanidade de todos os tempos e oferecendo a todos
o dom da salvação. A liturgia deste Domingo inicia-se com a bênção dos ramos e a
procissão que comemora a entrada triunfal de Jesus na Cidade Santa de Jerusalém,
na qual é acolhido como Rei. Na liturgia Eucarística, o Evangelho proclamado é a
narrativa da Paixão do Senhor. Somos convidados a entrar com Jesus no mistério
de sua paixão e aquecer o nosso coração com o amor que não tem fim, o amor de
Deus por nós. O ensinamento deste dia é que devemos acolher Jesus em nossa vida,
nos deixar atrair pela força do seu amor e trilhar o caminho alto que nos conduz
a Deus.



     Na Quinta-Feira Santa inicia-se o
Tríduo Pascal com a solene celebração da Ceia do Senhor. O mistério Pascal é o
mistério central da vida cristã. Unidos a Jesus Cristo na sua Paixão, Morte e
Ressurreição, podemos também nós viver santamente nossa paixão, morte e
ressurreição. Neste dia Jesus instituiu o grande dom da Eucaristia e do
sacerdócio ministerial. Também neste dia Jesus lavou os pés de seus apóstolos e
nos deixou o mandamento do amor, nos ensinando, deste modo, a unir em nossas
vidas, Eucaristia e serviço em favor dos irmãos. Quem se senta à mesa da
Eucaristia não tem o direito de desprezar os pobres e marginalizados, nos quais
Jesus se faz particularmente presente (cf. (Mt 25,31-46).



     A Sexta-Feira Santa é um dia
inteiramente centrado na cruz e na morte de Cristo. Não se celebra a Eucaristia
neste dia. A principal celebração deste dia é a celebração da Paixão que, é,
fundamentalmente, uma ampla celebração da Palavra que culmina com a adoração da
cruz e termina com a comunhão eucarística. Não é dia de luto pela morte de
Jesus. É a morte do Ressuscitado que celebramos, motivo pelo qual falar de luto
é inadequado. É também dia de jejum e abstinência. Somos convidados e contemplar
o mistério da morte de Jesus como mistério de amor infinito por nós. Neste dia
"o Verbo emudece, torna-se silêncio de morte, porque se disse até calar, nada
retendo do que nos devia comunicar. Está sem palavra a Palavra do Pai, que fez
toda criatura que fala; sem vida estão os olhos apagados d?Aquele a cuja palavra
e aceno se move tudo o que tem vida" (Papa Emérito Bento XVI, Verbun Domini,
13).

     O Sábado Santo é considerado o dia do
silêncio litúrgico. A Igreja permanece em comunhão com o seu Senhor que repousa
no sepulcro. Por isso, neste dia não se celebra nenhum sacramento. O grande
símbolo deste dia é o Círio Pascal que entra solenemente no início da Vigília
Pascal, simbolizando Cristo, Luz do mundo, que dissipa as trevas do pecado. Na
liturgia da Palavra a Igreja proclama as maravilhas operadas por Deus na
história da salvação, começando pela criação do mundo e passando pela libertação
da escravidão do Egito. Maravilhas de todas as maravilhas é a Ressurreição de
Cristo. Esta é a noite da nova criação, do novo mundo recriado na luz da
ressurreição do Senhor. Esta Vigília se conclui com o "Aleluia", canto, por
excelência, da ressurreição, e a Solene liturgia eucarística da Páscoa do
Senhor.



     Domingo da Páscoa. A Páscoa é a festa
da nova criação. Jesus ressuscitou e nunca mais morre. A porta que dá acesso à
nova vida foi arrebentada. Na Páscoa, ao amanhecer do primeiro dia da semana,
Deus disse novamente: "Faça-se a luz!" Antes tinham vindo a noite escura do
Monte das Oliveiras e da traição de Judas, o eclipse solar da paixão e morte de
Jesus, a noite do sepulcro e do silêncio. Mas, agora a criação recomeça
inteiramente nova. Jesus ressuscita do sepulcro. A vida é mais forte que a
morte. O bem é mais forte que o mal. O amor é mais forte que o ódio. A verdade é
mais forte que a mentira. O salmo desta liturgia canta: "Este é o dia que o
Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos". A Ressurreição de Cristo é
o mistério fundante da fé cristã. Já bem dizia Santo Agostinho: "Crer que Jesus
morreu não é grande coisa. Isto até os pagãos professam. Grande coisa é crer que
Jesus ressuscitou. A fé cristã é a ressurreição de Cristo". O Ressuscitado vence
toda forma de escuridão. Ele é o novo dia de Deus que dá sentido pleno à nossa
vida. Celebremos, portanto, nossa Páscoa na pureza e na verdade. FELIZ PÁSCOA DE
RESSURREIÇÃO!



Fonte: www.arquidiocesedepalmas.org.br


Notícia Postada em 14/04/2014 por: Fernando

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